Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Socorro! O Apocalipse!

Acho muito engraçadas essas teorias apocalípticas que surgem todo dia por causa do formato digital. O livro vai morrer, a TV vai morrer, o rádio vai morrer, o jornal vai morrer! A mais nova morte anunciada agora é da chamada “rock art”. De acordo com vários especialistas, nesta matéria do The Independent (em inglês), o design de LPs e CDs, que foi tão importante em toda a história do rock, vai sumir.

O tom é alarmista. Os designers e fãs lamentam o fim do casamento da arte com a música. “Oh, céus, ó vida”. Seria o fim de obras de arte como a capa de Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band e The Velvet Underground & Nico. Fala sério. Alguém realmente acha isso? E os sites, que são cada vez mais importantes para divulgação e marca da banda? Não podem ser arte?

As pessoas não aprendem. Quando surgiu a TV disseram que o rádio e o cinema iam morrer, mas eles se adaptaram. É o que vai acontecer com a “rock art”, ela vai se adaptar, vai migrar pra outros meios, como tudo o que anda acontecendo com a revolução digital. Morre o que fica obsoleto, o que é superado por algo melhor. Se for bom, sobrevive.

Por isso fique tranqüilo, a arte vai continuar lado a lado com a música, elas tem tudo a ver. Estão dando um tempo, se adaptando às mudanças, mas voltam às boas daqui a pouco. Eu garanto.

Domingo, 24 de Agosto de 2008

Roberto e Caetano cantam Tom

Não sou muito bom nesse negócio de fazer crítica, principalmente de música. Porque pra mim, ou a música emociona ou não emociona. Por isso, é difícil fazer uma análise fria do show de Roberto Carlos e Caetano Veloso, nessa sexta, homenageando Tom Jobim no Theatro Municipal.

Porque pra mim foi sensacional e ponto. Posso até me esforçar um pouco e procurar alguns motivos que fizeram essa apresentação ser tão boa, mas vou esquecer de vários. As bandas eram perfeitas - assim como a orquestra de cordas - , o repertório era lindo (era Tom Jobim, pô!) e os dois têm uma presença de palco incrível. Mas não é só isso.

O mais legal foi sentir que eu estava presenciando um show histórico, que provavelmente vai estar nos livros sobre música brasileira daqui a 20 anos. Nada paga essa sensação. Vou poder contar pros meus filhos, ora bolas!

Claro que a apresentação teve alguns problemas. O som de alguma caixa estava estourado, Roberto esqueceu vários trechos de letra e havia uma velhinha muito inconveniente batucando (fora do ritmo, é claro!) a bolsa atrás de mim. Ah, e o impulso brega de Roberto em cantar Insensatez em espanhol. Não precisava, Rei...

E por falar em Roberto, fiquei impressionado com o cara. Eu adoro o Caetano, acho que ele tem um carisma enorme, mas tenho que reconhecer que Roberto é mesmo diferente, tem alguma coisa a mais, não dá pra explicar. Ele optou pela parte do repertório mais conhecida de Tom, enquanto Caetano ficou com a parte mais intimista. E juntos, cantaram Garota de Ipanema, Felicidade, Wave, entre outras.

Inesquecível. Mas as duas lembranças mais fortes que vou levar desse show vão ser o bis de Chega de Saudade - quando os dois voltaram ao palco pela segunda vez de forma arrebatadora - e a infeliz velhinha batucando a bolsa atrás de mim. Pensando melhor, acho que daqui a pouco eu esqueço a velhinha.

Fotos: Roberto Carlos

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

Lobão e Caetano

O Lobão disparou a metralhadora giratória - que eu já começava a sentir saudades - numa entrevista para o JB. Na gravação do show de Obra em Progresso Caetano respondeu e ainda apresentou uma canção inédita chamada Lobão tem razão.

Discordo da maioria das coisas que os dois falam, mas adoro lê-los e ouvi-los falando. Esse mundinho anda muito chato, muito politicamente correto, tudo muito calculado. Coisa mais aborrecida... Lobão e Caetano pelo menos chacoalham um pouquinho nossa cabeça.

Tanto que ambos se elogiam, mesmo que com alguma ironia. Discordam de uma porrada de coisas, já devem ter quase saído no tapa(eu apostaria no Lobão!) mas se admiram. E eu admiro os dois, porque são safadamente incoerentes e não se preocupam com o que dizem. Ou se preocupam e calculam friamente o que vão falar, sei lá. De repente isso também é marketing.

Ah, mas que é muito mais legal do que a atitude de boutique que é regra no mundo musical, isso é...

Fotos: Lobão e Caetano

Sábado, 16 de Agosto de 2008

Dorival

Vi Dorival Caymmi pessoalmente apenas uma vez, na PUC, quando sua neta apresentou a dissertação de mestrado sobre a vida do avô. O vi bem de longe, sentado lá na frente, sorrindo cada vez que Stella Caymmi contava uma história engraçada. Queria ter falado alguma coisa com ele, mas o que?

Dorival foi, é e será único na música brasileira. Ele criou um estilo melódico, harmônico e poético que não pode ser copiado. Seu filho, Dori, lembra que Vinícius de Moraes dizia que seu pai era um compositor solitário no cancioneiro brasileiro. "Não tinha mais ninguém na sua onda". E ainda não tem, nem vai ter.

Caymmi tinha um jeito muito particular de compor, que eu, como um compositor de fim de semana, não consigo conceber. Não usava papel, violão, gravador ou qualquer outro instrumento. Compunha na cabeça, às vezes durante anos, e guardava melodia e letra de memória. Quando sentia que a música estava pronta, aí sim a tocava no violão e cantava. Sem pressa...

Uma de suas frases geniais: "‘Você é um preguiçoso que vai produzir alguma coisa. Não exagere! Não corra à frente da roda. Você se mantém dentro do seu ritmo. Promete?’ ‘Prometo’. É a promessa que devo ter feito lá em cima". E Caymmi não exagerou mesmo, produziu relativamente pouco ao longo da vida, mas a qualidade de cada uma de suas músicas é impressionante.

Quando me contaram que Dorival morreu essa manhã peguei o violão e toquei o Samba da Minha Terra, Só Louco e Doralice. Todas eternas, assim como praticamente todo o seu cancioneiro.

O blog está de luto, mas não vai parar de ouvir Caymmi nunca.

Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Roubaram minha idéia

E parece que a minha idéia não é nem de longe original... Vão lançar algo parecido na Inglaterra, vejá só! Tomara que dê certo e inspire algo semelhante por aqui. Leia no Remixtures.